Silêncio (2016) – [2017/29]

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Título original: Silence – Diretor: Martin Scorsese – País: EUA – Ano: 2016

Martin Scorsese tem uma carreira deveras brilhante. Seus filmes conseguem ser bastante distintos e variados entre si, mas todos, inegavelmente, possuem uma qualidade e um cuidado que poucos conseguem manter durante tanto tempo. Mas isso não quer dizer que seus filme sejam perfeitos. Em Silêncio, ele mostra mais uma vez porque é um dos diretores mais aclamados de Hollywood, mas também reafirma algumas de suas dificuldades narrativas.

Os jovens padres jesuitas Rodrigues (Andrew Garfield) e Garupe (Adam Driver) decidem embarcar em uma perigosa missão ao Japão feudal para resgatar seu antigo mentor, Padre Ferreira (Liam Neeson), que, segundo os rumores indicavam, tinha abdicado de sua serventia a Deus e agora vivia como japonês sob os olhos do Xogum. Nessa viagem eles descobrem os perigos pelos quais aqueles que pregam e seguem a fé cristã em um país comandado por um governo que os via como inimigos.

Começo elogiando o trabalho absurdo do diretor de fotografia, Rodrigo Prieto, e da equipe de arte, composta majoritariamente por chineses, por não só recriarem com maestria os cenários e figurinos da época, como também pela excelente maneira como mostraram isso para nós. Prieto já tinha mostrado sua competência ao assumir a fotografia de O Lobo de Wall Street (2013), mas agora ele tinha um universo bem mais aberto e rico para trabalhar.

Já sobre o trabalho de Scorsese não posso tecer apenas elogios. O filme continua seguindo a tradição de diálogos marcantes e drama bem conduzido que fizeram sua fama, mas também mostra como Scorsese tem dificuldade em condensar seus filmes. Se as quase 3 horas de filme já não fossem longas o suficiente, existe uma barriga no segundo ato que parece triplicar essa duração. Eventos repetitivos e com poucas consequências que arrastam o filme e tornam a experiência de assistí-lo não tão agradável quanto poderia ser. Ainda mais quando prolongam demais sequências simbólicas de algo que já está óbvio desde os trailers: o paralelismo de Rogrigues com Jesus Cristo. Filmes não precisam ser curtos, mas se forem longos, que usem o “tempo a mais” de maneira um pouco mais proveitosa.

Ainda assim, sou mais elogios do que críticas a Silêncio. Os temas retratados no filme são envolventes e “tocam na ferida”. Coisas como a responsabilidade dos padres jesuítas sobre os convertidos, testes de fé, a suposta crueldade do governo do xogunato travestida de “proteção” do que “é ser o Japão”, o choque de culturas, etc. Tudo isso tem o seu momento de brilhar e Scorsese os introduz e os desenvolve muito bem. Um filme que, sem dúvida vale a pena ser assistido… mas vá ao banheiro antes de começar.

Nota: ★ ★ ★ ★ ☆

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