A Bela e a Fera (2017) [2017/27]

Título original: Beauty and the Beast – Diretor: Bill Condon – Ano: 2017 – País: EUA

Em um primeiro momento a ideia de uma versão live action de A Bela e a Fera não me caiu bem. Não estava confiante de que conseguiriam resgatar o espírito da animação original e a escalação de Emma Watson como Bela não me pareceu a mais acertada. Com o tempo, no entanto, o filme foi crescendo em mim juntamente com a vontade para assistí-lo. Parecia que tudo estava caminhando para um resultado que enterraria minhas impressões iniciais. E isso até aconteceu… mas não enterrou tão fundo quanto eu gostaria.

Bela (Emma Watson) é uma menina sonhadora e aventureira que adora mergulhar nos livros para escapar de sua vida provinciana em uma cidade do interior da França. Vida essa que se resum quase a só fazer compras, lavar roupa e tentar desviar das cantadas de Gaston (Luke Evans). Quando seu pai (Kevin Kline) sofre um ataque de lobos na estrada e vai parar na porta de um castelo amaldiçoado, Bela vai atrás dele e descobre que uma Fera (Dan Stevens), o antigo-principe-transformado-em-fera daquele castelo, o aprisionou. Ela se oferece para ficar no lugar de seu pai e a Fera aceita. Com a intervenção dos outros habitantes do castelo, que foram transformados em móveis, ou outros objetos, a Bela e a Fera começam a conversar e a se conhecerem melhor e a se apaixonarem.

O filme segue então quase que quadro a quadro a animação original de 1991, o que poderia ser uma coisa boa já que o original é nada menos que incrível, mas que acaba sofrendo com, vejam só, falta de adaptação. Acontece que certos elementos que funcionam em animações, não foram feitos para funcionarem em um filme live-action. Não digo nem a parte de fantasia, mas sim de elementos narrativos como, por exemplo, a narração em off do que os personagens estão dizendo na cena de abertura do filme onde os atores não abrem a boca para falar nada. Infelizmente quando o filme tenta trazer algo de novo, falha em não ser nada de relevante. Acréscimos na história que poderiam vir para enriquecer, mas que no final ficam com a sensação de que estão alí só pra encher linguiça. Com exceção de algumas músicas novas que, apesar de não fazerem falta, se mostraram bastante competentes e complementam bem as músicas clássicas, como a Evermore cantada pela Fera. Inclusive, achei que os momentos musicais funcionaram muito bem durante todo o filme. Alguns remetendo mais a musicais clássicos, como a perfomance de Gaston, outras mais a grandes espetáculos dos parques da Disney, como a de Be our Guest, mas no geral, bem divertidas de se assistir (dá pra ouvir todas as músicas do filme no Spotify). Mas aí vem o pessoal da mixagem de som e atrapalha o que poderia ser um espetáculo musical. Escolhas erradas e claros ajustes artificiais, especialmente na voz da Emma Watson, estragaram vários momentos.

Problemas técnicos, inclusive, atrapalhavam o filme a todo momento. A mixagem de som foi um, mas o mais grave foi o fotógrafo. Cenas em que supostamente era para apreciarmos a beleza dos cenários eram conduzidas com movimentos de câmera rápidos demais que trasnformavam o cenário num borrão. Isso acontece, inclusive, na grande cena do filme, que é o baile. Um erro que não poderia passar em um filme desses. Outros erros ficam a cargo da montagem que ficou extremamente confusa e inconstante com cortes longos quebrando o ritmos e por aí vai. Uma das piores montagem/direção foi, justamente, na parte musical de Evermore. Atuações mediocres também marcaram momentos do filme. Incluindo aí Emma Watson que, infelizmente, foi no máximo “ok” no filme. Se as atuações fossem melhores, não é que os principais seriam resolvidos, mas nunca é demais. Felizmente tivemos performances muito boas de Luke Evans e de Josh Gad como Gaston e seu parceiro LeFou. Os dois roubavam as cenas em que apareciam. Ter Ian McKellen como Horloge também foi um excelente ponto do filme, difícil ele não ser incrível.  Já o sotaque de Ewan McGregor como Lumière já não estava lá essas coisas.

Apesar de tudo, ainda acho que é um filme que vale a pena ser visto. O trabalho de maquiagem e cenografia (embora prejudicado pela fotografia) são bastante competentes e a história e as partes musicais dão um sustento para as demais falhas do filme. No geral, o filme parece mais um grande musical que você veria num parque da Disney. Ruim? Não, mas podia ser um FILME melhor. Confesso, no entanto, que voltei a ficar temeoros para as vindouras adaptações de Aladdin, Mulan e O Rei Leão.

Nota: ★ ★ ★ ☆ ☆

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