Logan (2017) – [2017/021]

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Título original: Logan – Diretor: James Mangold – País: EUA – Ano: 2017

Enfim é chegada a derradeira aventura de Hugh Jackman como Wolverine, personagem que desde 1999 o ator interpreta com bastante carisma e paixão, o que fez fãs o adorarem até hoje, mesmo com alguns filmes de qualidade bastante duvidosa no currículo. Agora, em Logan, vemos um herói em decadência. O nome “wolverine” é coisa do passado, coisa de gibi, e hoje quando alguém o chama assim é como se Logan fosse acertado por flechas certeiras em seu coração. E esse coração já passou por muita coisa. Seu fator de cura o fez viver por muito tempo, conhecer muita gente, matar muita gente e sofrer por muita gente. No ano de 2029, seu fator de cura já não é mais o mesmo, o envenenamento por adamantium e todas as experiências traumatizantes pelo qual ele passou em sua vida deixaram marcas profundas em seu corpo e sua mente. Olhos permanentemente avermelhados, manco, garras que travam, feridas que não se fecham.

Desde os primeiros minutos, fica claro que esse filme terá um tom bem menos “ação blockbuster” do que qualquer outros dos filmes da prolifera franquia X-Men. Em Logan temos a busca de um homem pela paz no que ainda lhe resta de vida. Ele quer deixar sua vida de assassino para trás e, ao mesmo tempo, proteger o velho amigo de tantas aventuras Charles Xavier (Patrick Stewart) de si mesmo. Aproveito já para destacar a maneira como Stewart retrata o personagem nesse filme. O cérebro mais poderoso – e por que não, perigoso – do planeta sendo afetada por uma doença degenerativa que torna Charles incapaz de se controlar. Já velho, um tanto senil, sem forças e dependente de remédios, Charles não lembra nem de perto o homem confiante e imponente que era nos seus “tempos de glória”. Stewart faz questão de evidenciar o estado definhante que seu personagem se encontra. Seja no tom de voz ou na maneira como nos deixa em dúvida se ele está sob controle ou delirando.

Nesse cenário desesperador é que vemos a chegada de Laura (Dafne Keen), a pequena garota que deixa Logan em uma encruzilhada. Ao mesmo tempo que ele não quer se envolver mais em batalhas, ele sente uma responsabilidade de protegê-la. A partir desse momento, o filme assume um espírito quase de road movie onde vemos Logan, Xavier e Laura indo em direção ao Eden, uma suposta terra onde o que restou da raça mutante poderia viver em paz. E é nessa estrada que vemos não só Logan dar tudo de si como podemos ver o poder dormente que existe em Laura. O desenvolvimento da relação entre esses três é o grande cerne desse filme. Curioso como até mesmo a biga contra o vilão da vez, que quer capturar Laura, se torna secundário frente a isso.

Mas Logan ainda é um filme de super-herói e suas cenas de ação, muito bem conduzidas pelo diretor James Mangold, são prova disso. Só que ainda assim, graças a sua classificação etária mais elevada, nós podemos ver o verdadeiro impacto de cada golpe que Logan dá em e sofre de seus adversários. Isso é importantíssimo para o plot central do filme pois nós podemos ver não só o lado “bonito”, mas o lado “feio” daquele tipo de vida. Podemos ver claramente o porquê de Logan ter se cansado de tudo aquilo. Podemos ver também Dafne Keen nos mostrar que a pequena Laura pode sim derrotar brutamontes BEM maiores do que ela com velocidade e ferocidade que deixariam o jovem (e o velho) Wolverine orgulhoso(s). Por sinal, embora eu tivesse receio de Laura ser uma personagem irritante, a interpretação de Keen me provou o contrário. Ela não está com uma atuação excelente no papel como sua personagem foi bem melhor apresentada do que eu imaginaria.

No fim, o que fica é uma impressionante carta de amor a um personagem que tanto nós, os espectadores, como as pessoas por trás dos filmes aprendemos a gostar. Um filme extremamente sensível sobre um bruto de coração. Um sentimento muito bem figurado na cena em que Xavier e Laura estão assistindo a um pedaço de Os Brutos Também Amam (1953). Nesse filme, o protagonista Shane é um homem que após uma vida cheia de violência, tenta fugir de tudo e de todos para evitar mais matança, mas se vê forçado a voltar atrás para proteger a vida da família que o abrigou. Uma referência mais do que apropriada que, só poderia fazer mais sentido se viesse acompanhada de uma música do Johny Cash… e veio. Um filme imperdível, mas ainda mais para quem, assim como eu, cresceu vendo esse personagem (e esse ator) amadurecerem nas telas de cinema. Que final. Que filme. Que homenagem.

Nota: ★ ★ ★ ★ ★

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