Moonlight: Sob a luz do Luar (2016) – [2017/019]

20151023_Moonlight_D08_C1_K1_0878.tif

Título original: Moonlight – Diretor: Barry Jenkins – País: EUA – Ano: 2016

Há quem diga que todos têm oportunidade de ser o que quiserem. Apesar disso soar muito bonito, na prática o que acontecerá com as nossas vidas depende muito mais do meio em que nós estamos inseridos e das pessoas com quem convivrmos do que de nós mesmos. Moonlight tem essa questão, mas também muito mais, materializada na figura do seu protagonista, Chiron (Alex R. Hibbert/Ashton Sanders/Trevante Rhodes).

Acompanhamos então recortes bem marcados de três momentos da vida de Chiron: sua infância, quando era chamado pelo apelido de Little; sua adolescência, quando tentava fazer as pessoas o chamarem pelo seu nome, Chiron; e a vida adulta, onde atende pela alcunha de Black. O filme se desenrola na forma de um estudo de personagem onde vemos como o meio e as pessoas em que Chiron está inserido o moldam, o transformam e o corrompem. Desde sua relação com o traficante Juan (Mahershala Ali), que, quebrando com a imagem do traficante desalmado, se afeiçoa ao menino ainda novo, até o bullying que sofre na escola, a descoberta de sua sexualidade, dentre outros.

Chega a ser angustiante ver as coisas acontecendo sem podermos fazer nada, mas felizmente conseguimos repousar nos personagens que, de alguma forma, conseguem dar um fundo de esperança para aquele menino tão machucado. Juan, como a figura paterna que o menino nunca teve; a esposa de Juan, Teresa (Janelle Monáe), que oferece ao menino aquele calor emocional que sua mãe, Paula (Naomie Harris), uma usuária de crack que se prostitui para bancar o vício, não consegue prover, ou até mesmo o amigo Kevin (Jaden Piner/Jharrel Jerome/André Holland), seu único parceiro na selva que é a escola.

Chiron é um personagem extremamente complexo e eu temia que não seria possível desenvolvê-lo de maneira satisfatória dentro da estrutura narrativa do filme. Porém, fico feliz de que Barry Jenkins conseguiu escrever e dirigir uma história que, inclusive, possuí um arco dramático mesmo dentro dessa estrutura mais “documental”, sem precisar abrir mão de explorar tal complexidade psicológica de seu personagem. Não a toa o clímax do filme acontece em um diálogo, um diálogo sem grandes exclamações, mas muito emocional e humano.

E está aí o que faz Moonlight um filme que merece ser assistido: a busca pela humanidade de um personagem que em vários aspectos de sua vida é tratado com desumanidade. Sua fotografia muitas vezes claustrofóbica só faz a gente ficar ainda mais perto daqueles personagem e de sua cabeça. Entendo que nem todos gostam desse tipo de filme, sente falta de ementos amarrando os acontecimentos, mas pessoalmente, eu acho que eles estão lá. Nossas vidas são um acumulado do que vivemos e experimentamos e isso fica bastante claro no filme, para o bem e para o mal. Um filme diferente, humano, profundo e que quebra bastantes esteriótipos, inclusive encontrando suavidade em meio a um ambiente tão pesado.

Nota: ★ ★ ★ ★ ☆

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: