Capitão Fantástico (2016) – [2017/017]

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Título original: Captain Fantastic – Diretor: Matt Ross – País: EUA – Ano: 2016

Tento não entrar em muitos detalhes das histórias dos filmes que falo sobre pois, comumente, falar demais pode acabar estragando a experiência de quem for assistir. Em Capitão Fantástico, no entanto, o que está em jogo não é bem o que acontece, mas como acontece e quem protagoniza esses acontecimentos. Assim sendo, o sucesso do filme se dará em sua capacidade de atrair o interesse do espectador para aquele grupo de personagens e suas vidas. E nesse quesito, Capitão Fantástico dá uma aula de como fazê-lo.

Ben (Viggo Mortensen), vive com seus seis filhos em uma cabana isolada na floresta. Lá ele ensina as crianças a não só plantar, colher, lutar e sobreviver, mas a estudar filosofia, matemática, literatura, física quântica e muito mais. Uma verdadeira utopia escapista anti-capitalista. É curioso como, embora distante demais de nossa realidade, conseguimos simpatizar tão facilmente com aquela dinâmica familiar. Conseguimos, inclusive, apreciar o que Ben pretende fazer com seus filhos, ainda que, muitas vezes, pareça irresponsável ou até mesmo perigoso.

E grande parte da graça do filme está aí, em conhecermos a dinâmica daquela família tão pitoresca, mas ao mesmo tempo tão fantástica. Enquanto na nossa sociedade, seguimos tradições apenas por seguir, eles preferem comemorar, por exemplo, ao invés do Natal, o “Dia de Noam Chomsky”, considerado o pai da linguística moderna, notório filosofo e anti-capitalista. Enquanto “nós” estamos ficando cada vez mais gordos e sedentários, eles ostentam condicionamento físico de atletas olímpicos. Enquanto nossas crianças mal conseguem saber o que é o imposto de renda quando saem da escola, o mais novo deles sabe perfeitamente a função de todos os departamentos do governo. E a lista não para por aí. É uma família que nos deixa em conflito porque somos levados a achar que o que Ben faz é absurdo, mas ao mesmo tempo ficamos com um sentimento de culpa por não “sermos tão bons”, apesar de todas as nossas “facilidades”.

Mas não é apenas um filme contemplativo. Há nele um arco dramático muito bem montado e executado, embora simples, focado no personagem de Mortensen (que está ABSURDO no papel). Após receberem a notícia da morte de sua mãe, aquela família embarca em uma jornada até a “cidade grande” para tentar honrar o último desejo de sua mãe: “que ela seja cremada em um funeral com muita música e dança e que após, tenha suas cinzas jogadas descarga abaixo”. Isso vai de conflito com o que o avô, pai da mãe deles, tem em mente. Ele, o ricaço cristão quer forçar um funeral cristão, com um enterro “comum” para sua filha e ainda acusa Ben de ser o culpado pela tragédia. Esse conflito colocará em jogo vários dos pilares que sustentam aquela família e nós ficaremos com um aperto no coração esperando para ver o que acontece. E quando termina, nós queremos mais, nós queremos ver mais daquela família, ver o que vai acontecer daqui pra frente.

Capitão Fantástico acaba sendo um filme divertido ao mesmo tempo que tocante. Sua simplicidade e seu contexto peculiar têm a capacidade de agradar a toda a família, mas ele faz questão de não cair no erro de ser raso e usa seus fantásticos personagens para discutir temas pertinentes sobre a nossa sociedade e sobre nós mesmos. Motensen merece ganhar o Oscar por sua performance e Matt Ross, que me diverte MUITO como Gavin Belson em Sillicon Valley (série da HBO), precisa logo dirigir e escrever mais longa-metragens.

Nota: ★ ★ ★ ★ ★

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