Quase 18 (2016) – [2017/015]

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Título original: The Edge of Seventeen – Diretora: Kelly Fremon Craig – País: EUA – Ano: 2016

Se a geração dos anos 80 (e até a dos 90) encontrava respaldo na filmografia de John Hughes (Curtindo a Vida Adoidado, Clube dos Cinco, Gatinhas e Gatões), a geração atual ainda busca um cineasta para chamar de seu. Essa busca talvez chegue ao fim com Quase 18 da estreante Kelly Fremon Craig.

Nadine (Hailee Seinfeld) é uma jovem de 17 anos que nunca conseguiu se encaixar em nenhum “grupo” no colégio. Ela nunca se achou bonita, atlética ou inteligente. Se se sentir excluída do mundo já não fosse um problema enorme na vida de uma adolescente, sua melhor e única amiga, Krista (Haley Lu Richardson) começa a namorar seu irmão, Darian (Blake Jenner), que é o exato oposto dela: bonito, atlético e inteligente. Essa foi a gota d’água para a vida de Nadine entrar em um espiral descendente e desencadear uma série de situações e decisões erradas.

Embora siga as fórmulas do sub-gênero “vida adolescente”, Craig encontra nos diálogo de seu roteiro um ponto de originalidade frente aos demais. Hailee Seinfeld – que concorreu ao Oscar quando ainda tinha 14 anos por seu papel em Bravura Indômita (2010) – traz mais uma performance arrebatadora em Nadine e com diálogos afiados consegue nos levar para além do “simples” drama adolescente pela qual a personagem passa. Seu diálogos com Woody Harrelson, no papel do professor-quase-psicólogo-quase-figura-paterna-após-a-morte-de-seu-pai de Nadine, Sr. Bruner, são extremamente verdadeiros e sensíveis. Sem querer desmerecer a participação do restante do elenco coadjuvante, em especial Blake Jenner e Haley Lu Richardson que se mostraram excelentes em seus papeis.

Quase 18 é uma inspirada representação do final da adolescência e da chegada à vida adulta. Ela chega suas responsabilidades, dificuldades, medos, inseguranças, mas também a noção de que ainda há uma longa vida pela frente. Uma vida que dará tempo para os problemas passarem ou para que, as vezes, com pequenas mudanças de comportamento e/ou de perspectiva eles se resolvam, ou, ainda, você pode perceber que eles não são realmente “problemas”.

É nesse contexto que Craig escreve Nadine. Sem querer aumentar demais ou descartar seus sentimentos, vontade e decisões. É tudo feito com sutileza e cuidado. Discussões são aprofundadas em diálogos naturais, relações são feitas e desfeitas, decisões são tomadas e as consequências não deixam de vir… e de brinde ainda ganhamos um retrato de como se encontra o universo escolar atual, seus professores desmotivados e seus alunos cheios de angústias e dúvidas sobre o futuro. Sem dúvida um dos melhores filmes do gênero que vi nos últimos anos.

Nota: ★ ★ ★ ★ ☆

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