The Sky Crawlers: Eternamente (2008) – [2017/013]

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Título original: Sky Crawlers – Diretor: Mamoru Oshii – País: Japão – Ano: 2008

The Sky Crawlers: Eternamente (2008) nos transporta para um mundo onde crianças com uma mutação genética que não as deixa envelhecer (os “kildren”) são as responsáveis por pilotar aviões de guerra e participarem de batalhas aéreas arriscando a vida pelas corporações que representam. É nesse mundo onde a guerra foi privatizada que conhecemos Kannami, um kildren que acaba de aterrisar na Area 262 e entra em sua rotina de piloto de guerra como se fosse um trabalho como outro qualquer. Com o decorrer dessa rotina, nós aprendemos mais sobre a situação dos kildren e especialmente o que aconteceu com o piloto que Kannami veio substituir e qual o envolvimento da Comandante Kusanagi nessa história.

Como já é característica da filmografia de Mamoru Oshii, ele usa a trama apenas como veículo para falar de temas mais profundos. Assistir esse filme superficialmente resultaria numa experiência, no máximo, medíocre. Sim, as batalhas aéreas são bem bacanas, mas elas passam como mais um dos vários eventos das repetitivas e enfadonhas rotinas dos protagonistas. É preciso pensar, interpretar e tentar ir depreendendo as várias camadas que o filme possui. A começar pelo fato de que, na prática, esse filme seja mais uma história de romance do que um thriller de guerra, como parece se vender.

E embora eu ache que o diretor faça um trabalho melhor nesse filme do que em Avalon (2001), ainda não consigo embarcar muito em seus filmes. São personagens que aparecem do nada e tem a única função de apresentar um diálogo (quase monólogo) expositivo e bem não-natural buscando apontar para a grande revelação do filme. Grande revelação essa que poderia ser deixada a cargo do espectador já que durante toda a narrativa ele dá claros elementos que apontam pra ela, mas que Oshii insiste em deixar clara em sua cena pós-crédito.

São detalhes como esse que fazem esse filme parecer só uma colagem de ideias do que um pensamento coeso e com algum propósito. Essas ideias, por si só, tem excelente potencial. Há discussão sobre o direito à morte, o ser humano como propriedade, a guerra pela guerra, o que representa a infância, motivações para viver, etc… mas fica tudo perdido demais. Falta cola. Falta o espectador conseguir se importar com aqueles personagens a ponto de se sentir impelido a ir atrás do que está por trás deles, de suas ações e do mundo em que vivem. Ainda mais para os não “iniciados” a Oshii e aos temas que ele costuma discutir.

The Sky Crawlers foi a última animação do diretor, que se diz hoje desinteressado em animação. Pessoalmente acho uma pena. Seus melhores trabalhos ainda são animações. E suas melhores animações ainda são aquelas da época em que Oshii se importava com o público, se importava em atrair o público. Colocar sua interioridade em filmes não é ruim, mas de nada adianta se só você conseguir entendê-los. Não digo que esse filme chegue a esse extremo, mas teria sido melhor se ele tivesse se importado um pouco mais com quem fosse assistir.

Nota: ★ ★ ★ ☆ ☆

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