A Criada (2016) — [2017/011]

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Título original: Ah-ga-ssi — Diretor: Chan-wook Park — País: Coréia do Sul — Ano: 2016

Vingança… sem dúvida o tema que rege toda a filmografia de Chan-wook Park. Não é a toa que fez uma trilogia toda em volta desse sentimento. Em seu mais novo longa, o diretor retoma o tema sem deixá-lo controlar toda a narrativa. Esse controle fica a cargo da trama, belamente narrada e intrincada, que é melhor aproveitada se formos para ela sem sabermos muito bem o que esperar.

A jovem Sook-hee (Tae-ri Kim) é chamada para posar de empregada, quase uma dama de companhia, em um esquema planejado pelo “Conde Fujiwara” (Jung-woo Ha) para roubar a fortuna de Himeko (Min-hee Kim), uma jovem de origem nobre que perdeu os país e que vive com o tio, o víuvo Kouzuki (Jin-woong Jo). As coisas começam a sair dos trilhos quando Sook-hee se vê apaixonada por Himeko.

Com planos belíssimos, exibindo com orgulho os cuidados visuais de seu diretor e sua equipe, a história se desenrola sob diversas perspectivas colocando o espectador sob o angulo de seus personagens. A maneira como tudo vai se desenrolando e surpreendendo o espectador ao mesmo tempo que surpreende os personagens é digna dos melhores thrillers (sim, Hitchcock, estou olhando para você). Essa meticulosidade no contar da história e no desenvolvimento dos personagens e suas relações acaba se refletindo na duração do filme, que se desenrola por honestas duas horas e meia. Mas se tem uma coisa que Chan-wook Park consegue fazer é prender nossa atenção e fazer esse tempo ser plenamente justificado.

O filme peca, no entanto, quando decide prolongar certas cenas de sexo além do necessário. Elas tem o seu propósito na trama — a sexualidade é um dos temas centrais do filme — e são belamente encenadas, mas em certos momentos chegam bem perto do exagero e da pura pornografia.

A Criada mostrou mais uma vez o potencial do cinema de Chan-wook Park que, desde Old Boy (2003), ganhou notoriedade mundial. É um filme extremamente envolvente, bem construído, sensual, político… um Azul é a Cor Mais Quente (2013) coreano, mas com muito mais a oferecer. Ainda estou querendo entender a Coréia do Sul não ter colocado ele como seu candidato para o Oscar.

Nota: ★ ★ ★ ★ ★

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