Avalon (2001) — [2017/005]

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Título Original: Avalon — Diretor: Mamoru Oshii — País: Polônia/Japão — Ano: 2001

Ash vive na periferia de uma cidade cyberpunk e ganha a vida jogando um jogo online de imersão total chamado Avalon. Já tendo praticamente alcançado todos os objetivos do jogo e sendo considerada com uma das melhores jogadoras em atividade, Ash descobre a existência de um “Nível Especial A” e decide tentar alcançá-lo, por mais que isso possa custar sua vida.

Embora o plot tenha essa proposta “aventureira”, sua execução é bem mais densa e psicológica. Durante boa parte do filme nós acompanhamos o dia a dia miserável da protagonista em um mundo vazio e desesperançado. Tanto que até mesmo o escapismo proporcionado pela experiência de realidade virtual acaba sendo só mais uma parte de sua rotina. Isso fica bem evidente pela decisão de se apresentar o filme quase que constantemente num tom de sépia com luzes estouradas e pretos profundos.

O diretor Mamoru Oshii, que ficou bastante conhecido pela animação Ghost in the Shell (1995), traz em Avalon mais uma vez a discussão do “o que é real?”, “o que faz algo real?” que irá agradar os fãs de ficção científica que, por ventura, pegarem esse filme para ver. O que ele falha, no entanto, é no ritmo. Embora sua capacidade de criar uma boa atmosfera seja inegável, o filme, pelo menos em sua maior parte, é extremamente chato. A protagonista não expressa emoção alguma no decorrer do filme. Salvo quando interage com o seu cachorro. Isso poderia ser um bom recurso para mostrar como a vida naquele mundo suga o que há de mais essencial no ser humano, mas no final das contas não passa de um dos vários aspectos chatos do filme. Nem as cenas de ação são suficientes para quebrar essa monotonia.

Uma verdadeira pena pois a direção, no geral, é muito boa. Destaco a cena em que Ash, após viver uma experiência forte no jogo, decide comprar vegetais frescos (algo caro e raro naquele mundo) e cozinhar uma refeição. Não para ela, mas para seu cachorro. O filme inteiro, para ser sincero, traz uma fotografia bem única que colabora bastante para nos fazer perceber aspectos interessantes daquele mundo e embarcar nos mesmos. Ao mesmo tempo, no entanto, o uso exagerado de simbolismos só funciona para quem conseguir percebê-los e faz quem não percebeu ficar ainda mais confuso numa história que já é, por si só, complexa.

Muito se compara Avalon a Matrix (1999) graças a ambos os filmes compartilharem uma temática parecida. Porém, enquanto Matrix segue na linha de tentar escapar do virtual e ir para o real, Avalon se preocupa mais em mostrar a busca pelo virtual quando o mundo real já não tem nada para lhe oferecer. Infelizmente Avalon acaba sendo um filme com uma temática promissora e que poderia propiciar muita discussão, mas que sofre com uma condução demasiadamente lenta e desestimulante.

Nota: ★ ★ ☆ ☆ ☆

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um comentário

  1. […] embora eu ache que o diretor faça um trabalho melhor nesse filme do que em Avalon (2001), ainda não consigo embarcar muito em seus filmes. São personagens que aparecem do nada e […]

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